Mente nublada
Dor latente pulsante
Finge a cura
por Aionios Devir
Lutamos por nossos sonhos, para que eles não virem os maiores pesadelos...
A água caiu
O pote a fechou
O sol a encontrou
Em vapor se transformou
Seu caminho encontrou
Assim se libertou
por Aionios Devir
Não há tempo
para ser, para sentir
Não há tempo
para pensar, para refletir
Há o desejo de ter
Não é preciso crer
Apenas ver para ver
por Aionios Devir
Medidas sem medida
Pros mano e pras mina
Uma vida com destino sentenciado
Com lugar e caminho
determinado
Sentença clara,
branca como a nuvem
Perto de mais do sol
e não enxerga ninguém
Só aqueles que podem
voar
Por os pés no chão,
nem pensar, apenas flutuar
Convívio dia a dia
com a soma de todos os medos
Sou mulher preta
trans, venham todos os preconceitos
Pega essa visão, abre
sua escuta
Um olhar hipócrita,
aí é treta
Dou respostas com agressividade
São minhas armas para
sobreviver à esta realidade
Abro as portas para
diversidade
Um soco na cara da
sociedade
Erros cometo e todos
eu pago
Mas quem paga a
ausência presente do estado?
São estranhas as
paredes da prisão
No começo trazem
solidão, de repente refletem sua visão
Como um espelho que
reflete sua percepção
Quando fui posta em
liberdade, senti que era o retorno a escravidão
Pai desconhecido, vi
minha mãe deixando este mundo
Em luto eu luto,
minha voz eu não mudo e incomoda o mundo
Para driblar a morte
tenho sempre que ser mulher forte
Desejo um dia poder fraquejar
sem correr risco de morte
Poder fechar os olhos
e chorar por minha mãe em paz
Sem ter medo de ser
ameaçada por traz
Para você essa é mais
uma história que acontece
Aqui não há medo
Não há sonho
Não há eu ou você
Não há morte
Não há vida
Não há, apenas há
Assim eu vôo
Deixo o mundo e estou no mundo
Indo além da rotina e do tempo
Por um eterno breve momento
por Aionios Devir