Eu sempre gostei de assistir TV, há os canais favoritos e programas que eu mais gosto, mas no fundo não é o que importa. Para mim basta ficar assistindo, por mais que possa significar apenas ficar mudando de canal. Nada como ter o controle.
Hoje foi mais um dos meus famosos dias.
Meu café da manhã foi o pão que compro no dia anterior no mercado com a manteiga que também vem de lá. Bebi uma vitamina com leite e frutas que comprei no mesmo lugar.
O ônibus que peguei para ir ao trabalho não era confortável, e para variar alguém entrou em minha frente e roubou o meu lugar.
No trabalho, como sempre, Jô contava suas piadas, que já eram até repetidas, mas mesmo assim todo mundo ria. Eu era um dos responsáveis pelas entregas. Sergio era sempre o funcionário do mês, pois “melhor” atendia o freguês, e eu cumpria as cotas do mês, mas isso não impedia a chefe de dizer: “É como o Sergio que você deveria fazer!”.
Hoje fui entregar um pedido e minha chefe disse: “Lembre-se o cliente sempre tem razão”.
A entrega era lá na Zona Leste e eu estava ao Sul da Capital.
Fui com o carro da empresa, mas demorei para chegar, porque além de ser longe havia o transito de sempre.
Quando cheguei estacionei o carro onde podia deixar.
Fiz a entrega, mas o cliente devolveu a encomenda e se recusou a pagar porque eu demorei a chegar.
Então lembrei de minha chefe dizendo: “O cliente sempre tem razão”.
Agradeci ao cliente e peguei a encomenda de volta.
Para voltar à empresa foi praticamente uma viajem, banquei a encomenda e me a chefe ainda comentou “Por quê você demorou tanto?!”
Não foi a melhor parte do meu dia, mas tudo bem, pelo menos na hora do almoço comi um bom macarrão.
Sai do trabalho e fui ao banco acertar as contas da empresa.
Entraram na minha frente, mas tudo bem eu não estava com pressa.
Saí dali depois de uma hora, pois quando chegou minha vez o banco abriu o atendimento preferencial e tive que entrar na fila de outro caixa.
Depois fui ao mercado, peguei pão e algumas frutas.
A moça do caixa disse que não tinha trocado, e perguntou-me se eu podia pegar algo para ajudar com o troco. Peguei um refrigerante.
Mas então na saída me lembrei que minha manteiga estava no fim, voltei e peguei, porém na hora de pagar faltou justamente o dinheiro que gastei no refrigerante.
A moça com quem eu havia comprado tinha ido embora e uma outra pessoa entrou em seu lugar. Mostrei a nota, mas ela disse que não aceitava o produto como parte do pagamento.
Mas tudo bem, paguei a manteiga no cartão e fui para casa.
Finalmente em casa. Jantei pizza com aquele refrigerante. Agora estou no sofá, e...Como eu já disse, sempre gostei de assistir TV, há os canais favoritos e programas que eu mais gosto, mas no fundo não é o que importa. Para mim basta ficar assistindo, por mais que possa significar apenas ficar mudando de canal. Nada como ter o controle....
Mas dessa vez ele não estava lá....E então falo para mim mesmo:
- Mas, cadê o controle? Onde foi parar? Cadê?
E afirmo para mim mesmo dizendo:
- Quero Assistir, assistir a TV, mudar os canais...Mas eu perdi, perdi o meu controle...
Agora que eu perdi o controle nada mais faz sentido, não sei porque me sinto tão enfurecido. Só me resta o grito:
- Odeio minha chefe! Tenho raiva das piadas do Jô! Devia ter jogado o refrigerante na cara daquela vadia! Quem me corta na fila são uns filhos da puta!...aaaaahhhh!!!!!
- Ding! Dong!
Alguém tocou a campainha...
...Mais tarde no noticiário local:
- Noticia em Ponto informa, homem tenta suicídio. Na Zona Sul da Capital o homem foi encontrado no chão por um vizinho, os peritos afirmam que ele tenha se jogado pela janela. O homem encontra-se fisicamente bem, quebrou um braço, porém foi encaminhado para um hospital psiquiátrico por não demonstrar lucidez. E está sendo acompanhado por psicólogos e psiquiatras, mas não foi encontrado nenhum parente para acompanhá-lo.
Uma criança foi encontrada desmaiada em frete ao quarto do homem com o rosto inchado, segundo ela, teria sido agredida por ele antes dele saltar pela janela. Ela disse que tocou a campainha porque tinha ouvido alguém gritar que havia perdido o controle cujo ela havia encontrado...
...Enquanto isso no hospital um psicólogo tentava falar com o homem.
- Perdi, perdi...Perdi.
Dizia o homem chorando.
- O que você perdeu?
Pergunta o psicólogo.
- Minhas ilusões...ilusões...
Disse o homem, e o psicólogo diz:
- Que ilusões?
Então o homem abre um sorriso e fala:
- ...De controle.
por Aionios Devir.
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
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